Está chegando o dia em que o governador disse que banhará em Itaporanga com água de Nova Olinda


Do ano passado para cá, já foram cinco promessas do governador Ricardo Coutinho de concluir a adutora emergencial que pretende trazer água do açude de Nova Olinda para Itaporanga, mas, até agora, ainda não se sabe quando esse equipamento vai, de fato, funcionar.
                
A última dessas cinco promessas feita publicamente pelo governador foi durante a campanha eleitoral passada, quando Coutinho, buscando angariar votos para seu candidato a prefeito, disse que no final de outubro, dia 30 agora, banhará em Itaporanga com água de Nova Olinda, mas parece que, mais uma vez, sua palavra será um risco n’água, como opina alguns moradores locais, indignados com o descaso.


                
Itaporanga está sem água nas torneiras há nove meses, gerando um sofrimento humano terrível. E, para piorar ainda mais o drama da falta d´água, os poços públicos e particulares que, até agora, vinham amenizando a situação, começaram a secar.  A distribuição falha e insuficiente dos carros-pipas públicos é outro agravante.
                
Mais do que sofrimento, o problema hídrico tem gerado mortes a partir da necessidade de acúmulo d’água em casa e da ingestão do líquido salobro e sem tratamento. A proliferação das doenças, especialmente a chikungunya, transmitidas pelo mosquito aedes aegypti, mataram mais de quatro dezenas de pessoas este ano na cidade. Outro atentado à saúde pública é a salinidade da água: muita gente está bebendo água salgada por não ter condição de comprar mineral e sendo vitimada de problemas circulatórios, com registro de vários óbitos.
                
Desde 2013, a fundação humanitária José Francisco de Sousa encaminha documentos às autoridades em busca de solução preventiva e emergencial para o problema, mas a negligência governamental gerou o caos. Este ano, a entidade também encaminhou ao Ministério Público requerimento pedindo uma ação contra o estado em função de sua omissão, que gerou grave prejuízo moral, material e à saúde da população, mas não recebeu nem, sequer, resposta, o que deverá ser denunciado ao Conselho Nacional do Ministério Público.

Autorizado: Folha do Vali
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