Esquema fraudulento fura fila de quem espera até seis meses por uma consulta no SUS, em Patos

A Polícia Civil de Patos e o Ministério Público da Paraíba estão investigando um esquema fraudulento de marcação de consultas no Sistema Único de Saúde da cidade. 
Usuários do Sistema estariam recebendo o prazo inicial de seis meses para realização das consultas ou procedimentos, e o motivo da demora seria um esquema de favorecimentos que acontecia em toda a rede pública e que beneficiava pessoas que furavam a fila do SUS.

Segundo o Conselho Municipal de Saúde, tanto unidades da rede municipal como da estadual estariam envolvidos no esquema. “Usuários passam seis meses pra poder ser atendidos após a marcação e a situação está generalizada por toda a rede. Identificamos que há uma organização criminosa agindo dentro do sistema. O conselho ouviu usuários, trabalhadores e gestão e apuramos que existem agiotas dentro do SUS, tendo favorecimento a consultas. Ou passavam na frente, ou agiam recebendo dinheiro de usuários. É gente comum que faz o tráfico de influência dentro do sistema. Os usuários estão penando, pela sangria e ação delituosa dessas pessoas”, disse Bosco Valadares, conselheiro.

Segundo ele, os casos acontecem na Central de Marcação do Município, no Hospital Regional de Patos, no Hospital Infantil de Patos e no Centro de Especialidades Frei Damião.
O delegado seccional de Patos, Sylvio Rabello, informou que o objetivo é identificar pessoas que estejam intermediando as marcações e a realização das consultas e procedimentos. “A denúncia inicial é de que pessoas com apoio politico saíam na frente em relação à marcação de consultas, exames e procedimentos cirúrgicos. Pessoas que nem seriam da cidade de Patos. Seriam terceiros que se aproveitam do conhecimento que têm. Investigamos se há uma pessoa intermediando com outra de dentro do sistema e que possa estar ganhando alguma coisa em troca”, explicou o delegado.
A polícia não passou detalhes da investigação, que é sigilosa, mas pede que as pessoas colaborem, através do 197, de forma anônima.
Gestores foram procurados
A Secretaria de Estado da Saúde informou que só se posicionaria sobre o caso, através de nota, hoje, pois quando foi informada às 16h30 o expediente já havia se encerrado. A reportagem tentou contato com o diretor do Hospital Infantil, Érico Djan, mas seu telefone estava desligado e ele já não estava mais na unidade. Também foi tentado o contato com o diretor do Hospital Regional, José Leudo Farias, mas ele não atendeu às ligações.
A Coordenação de Comunicação da Prefeitura de Patos informou que ontem a secretária-adjunta de Saúde do município e uma médica do Sistema de Regulação foram ouvidas pela polícia apenas para explicar como funciona o Sistema de Regulação do Município, que não abrange apenas Patos.

Fonte Jornal Correio da Paraíba

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