Aguiar vira polo da ciência com radiotelescópio BINGO e Cidade da Astronomia em construção
O Sertão da Paraíba está ganhando projeção internacional ao se tornar palco de um dos mais ambiciosos projetos científicos do país. A cobertura de imagens acompanha de perto as obras do radiotelescópio BINGO e da futura Cidade da Astronomia, empreendimentos que transformam a paisagem da caatinga em um verdadeiro corredor de ciência, tecnologia e turismo científico.
As imagens exclusivas mostram o avanço das construções nos municípios de Carrapateira e Aguiar, que integram o complexo científico instalado no interior do estado. Onde antes predominava o silêncio do sertão, agora o som das máquinas anuncia um novo tempo. A Cidade da Astronomia começa a ganhar forma e promete abrigar o planetário mais moderno do Brasil, além de um museu dedicado à história do universo, espaços de formação profissional, auditório e salas voltadas para atividades educacionais e científicas.
De acordo com o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior, Cláudio Furtado, o equipamento terá papel fundamental não apenas na divulgação científica, mas também no desenvolvimento regional. O local deverá receber professores, estudantes, pesquisadores e turistas, impulsionando a economia local e fortalecendo toda a cadeia produtiva ligada ao turismo, à educação e à cultura científica.
Na zona rural de Aguiar, no Vale do Piancó, outro gigante começa a se erguer. O radiotelescópio BINGO, considerado o maior da América Latina e um dos maiores do mundo voltados ao estudo da energia e da matéria escura, já está na fase de concretagem das bases que sustentarão suas estruturas metálicas. O equipamento colocará a Paraíba no centro das pesquisas astronômicas internacionais, atraindo cientistas de diversas partes do mundo.
O projeto é resultado de uma ampla parceria que envolve o Governo da Paraíba, o BNDES, o governo chinês, a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Além da relevância científica, a iniciativa abre caminho para a criação de uma rota inédita de turismo científico no interior do Nordeste.
A proposta integra diferentes municípios do sertão em uma espécie de linha do tempo do conhecimento. O roteiro inclui desde os registros paleontológicos de Sousa, passa pelo universo e pelas estrelas em Carrapateira e Aguiar, e se conecta à história e à arqueologia regional em Cajazeiras. A iniciativa busca unir ciência, educação, cultura e turismo em um pacto regional de desenvolvimento.
Segundo Cláudio Furtado, o impacto vai além da pesquisa científica. A instalação desses equipamentos estimula a economia criativa, gera empregos, atrai investimentos e fortalece as vocações locais de cada município. O Sertão da Paraíba, historicamente associado às dificuldades climáticas, passa a ser reconhecido também como território de inovação, conhecimento e exploração do universo.
Blog do Jordan Bezerra
Com informações do Diário do Sertão