20 Anos da morte de Luiz Gonzaga, conhecido como o Rei do Baião

O blog faz uma homenagem ao nosso eterno Rei do Baião que esse ano completa 20 anos de sua morte.
Veja a trajetória dele:
Luiz Gonzaga do Nascimento, segundo filho de Januário dos Santos e de Ana Batista de Jesus, neto de José Moreira Franca de Alencar, NASCEU na Fazenda Caiçara, município de Exu/PE, no dia 13 de dezembro de 1912.
Certa vez, Januário que era tocador e consertava sanfonas, pediu a Gonzaga, ainda menino, para ajudá-lo na afinação e nos consertos do instrumento. Januário percebeu que Gonzaga não tinha lá muito jeito para a roça, e sim, para a sanfona. Daí então passou a chamar Gonzaga para se revezar com ele nos bailes.· Com a grande cheia de 1924, o riacho do Brígida inundou os arredores e encheu a casa de Januário de água. A família foi obrigada a se mudar para o povoado do Araripe, na Fazenda Várzea Grande.
· O coronel Manoel Aires foi quem ajudou Gonzaga a comprar sua primeira sanfona, que custou 120 mil réis. Foi numa loja da cidade de Ouricuri, em 1926, ano em que Luiz Gonzaga passou a tocar sozinho (sem a companhia do pai) e se tornar um sanfoneiro profissional.
· Gonzaga participou durante três meses de um grupo de escoteiros em Exu e foi ali que ele aprendeu a ler e escrever. Mas como precisava ajudar os pais na roça, teve que voltar para casa.
· A iniciação sexual de Luiz Gonzaga foi com uma prostituta da região chamada Maria dos Lajes. Pegou logo uma blenorragia e foi tratado pela mãe, Santana, com remédios caseiros.
· O primeiro grande amor de Gonzaga, segundo ele mesmo declarou, foi uma moça chamada Nazarena, que pertencia à família Olindo, branca e importante na cidade de Exu.
· O pai da moça, seu Raimundo, quando soube do namoro, ficou furioso e disse que não queria sua filha namorando com um sanfoneirinho sem futuro e, ainda por cima, negro.
Gonzaga sabendo disso, foi num sábado de feira tirar satisfações com o velho. Tomou uma lapada de cana, comprou uma faca pequena e encarou seu Raimundo. Este, percebendo que Gonzaga estava meio bêbado, desconversou e contou o atrevimento do negrinho para Santana. Chegando em casa, Luiz tomou uma surra da mãe.
· Por causa dessa surra, Gonzaga resolveu sair de casa. Disse aos pais que ia tocar no interior do Ceará e, com a ajuda do tangedor José de Elvira, foi s’imbora pro Crato. Chegando lá, separou-se do amigo, vendeu a sanfona e foi para Fortaleza, onde chegou em julho de 1930. Faria 18 anos só em dezembro.
· Gonzaga se alistou no Exército porque mentiu a idade. A lei só permitia depois dos 21 anos e como não exigiram a certidão, Gonzaga se alistou no 23o Batalhão de Caçadores e já no mês seguinte (agosto) estava participando da Revolução de 30 no interior da Paraíba.
· Quando completou 1 ano de Exército, Gonzaga foi mandado para servir no Sul do país e embarcou para o Rio de Janeiro em dezembro de 1931. Depois foi para Belo Horizonte em agosto de 1932 e integrou o 12o regimento da Infantaria. Foi lá que ele ficou sabendo que Nazarena, sua paixão de Exu, havia se casado.
· Em janeiro de 1933, Gonzaga fez um concurso para corneteiro e passou. Adquiriu algumas noções de harmonia, aprendeu a tocar corneta e foi elevado a tambor-corneteiro da 1a classe. Foi quando recebeu o apelido de Bico de Aço.
· Durante o serviço militar, Gonzaga aprendeu a tocar violão. Mas não tomou gosto pelo instrumento.· Em 1936 era ouvinte da Rádio Tupi e admirava um baiano que começava a fazer sucesso: Dorival Caymmi. Conheceu naquele mesmo ano um colega soldado que tinha uma sanfona. Tomou gosto novamente pelo instrumento e pediu a Carlos Alemão, fabricante de sanfonas, que lhe fizesse uma. Demorou três meses. Tinha 48 baixos.
· Passou a tocar nas festas de Juiz de Fora e, depois, em Ouro Fino, para onde se transferiu em 1937. Nessa cidade, havia um advogado, o dr. Raul Apocalipse, que organizava espetáculos no clube Éden, e chamou Gonzaga para tocar lá. Foi a primeira vez que o exuense cantou num palco de verdade. Tocava músicas de Almirante, Antenógenes Silva e Augusto Calheiros.
· Gonzaga ainda chegou a gravar o LP Vou te Matar de Cheiro, na Copacabana. O último da sua vida.
· Em 1989, já bastante doente, Gonzaga ainda tinha na agenda vários shows marcados para o São João daquele ano.
· Mas, no dia 21 de junho, o velho Lua foi internado no Hospital Santa Joana, no Recife.
· No dia 16 de julho seria feito o divórcio de Gonzaga e Helena, que não aconteceu a pedido da família. Gonzaga pediria o divórcio alegando maus-tratos.
· Mas chegou o dia. Em 2 de agosto de 1989, Gonzaga faleceu no Hospital Santa Joana.
· Dizem as enfermeiras que ele sentia tantas dores, que, muitas vezes, soltava gemidos que mais pareciam aboios, aquelas toadas cantadas pelos vaqueiros em tom de lamento.
· No seu enterro, com a presença de muita gente, a música mais cantada foi “Nem se Despediu de Mim”.

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